Talvez nunca tenham pensado em ir de Santiago de Compostela a Fátima de comboio – O que é curioso, dado que o comboio é o meio mais confortável, seguro e ecológico para o fazer. Talvez nunca tenha pensado conhecer uma mão-cheia de «Patrimónios Mundiais da Humanidade» de uma só assentada e de comboio: Guimarães, Porto, Douro Vinhateiro, Gravuras de Foz-Côa e Salamanca. E percorrer o Algarve de Sotavento a Barlavento de comboio? Conhecer a maravilhosa planície Alentejana por ferrovia? Conhecer o vale do Corgo, do Tua (agora cortado na parte mais cénica por uma barragem desnecessária, qual crime ecológico e patrimonial) do Tâmega ou do Sabor (rios que deram nomes a linhas de beleza inquestionável que eram afluentes da linha do Douro) de comboio?

Entendemos que o turismo ferroviário não faz parte das contas dos que enchem as regiões de Turismo, contra tudo o que tem sido feito para manter Portugal na crista da onda. A vaga não vai durar sempre, mas com um excelente trabalho do Estado e dos Privados, podemos contar com cruzeiros, golf, eventos, turismo em «monumentos», fazedores de filmes e tantas outras opções que permitirão aguentar melhor os sinais de recessão provocados por destinos que renascem agora.

Da ferrovia não há boas notícias: para lá de um «turismo ferroviário» incipiente (Linha do Douro e do Vouga no Norte), não há forma das pessoas se deslocarem com consistência de comboio (com prejuízo claro da mobilidade, da diminuição das assimetrias regionais, da manutenção da população no interior – os incêndios, lembram-se das causas? – etc, etc) em Portugal.

A situação agudizou-se nos últimos tempos, e como se pode ler hoje na peça de Carlos Cipriano, estamos perto do fim da linha, .e., das circulações.

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